sábado, 31 de janeiro de 2009

Os Zelotas, quem foram?






















Os Zelotes ou Zelotas. (e a morte de São Paulo)
Todos sabem que João Batista foi decapitado. Essa terrível tradição de matar e levar a cabeça como prova da execução por encomenda atravessou os séculos. Tiradentes teve sua cabeça exposta em praça publica, Lampião e seus seguidores tiveram suas cabeças expostas, e Che Guevara teve seus dedos amputados, como prova de missão cumprida.
O que eu não sabia, e muitos como eu não sabem, é que São Paulo foi decapitado, não pelos romanos, mas em Roma, na via Ostiense, pelos Zelotas. Teve também sua cabeça arrancada como prova de missão cumprida. (352 Apêndices, NT. Vozes) ( imagem acima Perseu de Bevenutto Cellini)

O cristão deveria saber, e não esquecer, que o Judeu, da casta dos Fariseus, convertido ao universalismo cristão a caminho de Damasco, e recebido pelo Sacerdote judeu-cristão Ananias (cujo nome em hebraico quer dizer “O senhor compadeceu-se”,... de Saulo de Tarso, chamado agora Paulo, recolhido a um deserto por longos três anos, agora coluna da Igreja, era tido desde então como traidor da causa israelita, e tinha sua cabeça a prêmio. (nem os romanos, nem os judeus o queriam)
Quem eram os Zelotes? Ou zelotas?
Era um grupo de judeus fanáticos, apegados à lei, nacionalistas e resistentes aos romanos ( isso por si só não é um mal). Sua rebeldia foi a causa principal da expulsão dos Judeus de Roma em 49, e também a principal causa da destruição do templo de Jerusalém em 70. É obvio que os judeus discordarão afinal eles têm sempre razão..., mas foi em nome dessa razão é que os Zelotes decapitaram São Paulo em Roma, provocaram a Segunda Guerra Mundial e estão em vias de provocar a Terceira. Mas não diga isso porque você será visto como anti-semita, embora isso seja verdade, não deve ser dito. A base do pensamento zelota na Palestina foi o fundamento para a criação do Estado de Israel em 1948 como se pode deduzir nas entrelinhas. (Ler o Estado Judeu de T. H.) Se você tem alguma iniciação no judaísmo, saberá que eles (os zelotas) foram o sustentáculo de Judas Galileu quando organizou uma revolta contra os romanos ao tempo do procurador Quintílio Varão e também posteriormente conta o procurador Tibério Alexandre. Embora os judeus se orgulhem da ação dos zelotas entre 66 e 70 (época em que eles decapitaram São Paulo em Roma) eles foram o motivo real pela destruição do Templo. Lamentável teimosia, para tornar o Templo: O eterno muro das lamentações.
Enquanto isso, nos primeiros séculos, milhares de Judeus Cristãos (não somente Jesus e os apóstolos), aderiam à mensagem universalista salvítica destinada a todos os povos e para todos os povos, pela ordenação de Cristo, “ ide dar a noticia a todos os povos” (não no sentido antinacionalista, enquanto ordenação e soberania política), mas no sentido do anti-sectarismo racial, (enquanto presunção de exclusiva salvação racial).

Wallace.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Não subestimar o que foi aquele tempo.

É preciso não subestimar.
Muitos de nós, por vezes duvidamos da importância dos mosteiros, e do clero, para a preservação das escrituras cristãs, de escritos eclesiológicos, comentários e documentos, durante o período das invasões bárbaras. Isso de deve àquela visão errônea de que Roma estava sendo atacada, e que Jerusalém, Alexandria, Antioquia, haveriam de preservar o cristianismo. Mas não foi assim.
Diz o cronista: Podemos sentir o estado de ânimo temeroso dos cristãos através das palavras de São Jerônimo (morto em 420):
“Meu coração estremece pensando nos desastres do nosso tempo. Eis mais de vinte anos que entre Constantinopla e os Alpes Julianos o sangue romano é derramado diariamente... Quantas damas, quantas virgens de Deus (acredito que falava das consagradas), quantos corpos nobres e delicados não foram joguetes nas mãos dessas feras selvagens? Os Bispos são levados ao cativeiro, os sacerdotes assassinatos juntamente com clérigos de diversas Ordens; as igrejas são devastadas, os cavalos amarrados junto dos altares de Cristo como em estrebaria; os despojos dos mártires são extraídos da terra (creio que se refira a túmulos). Em toda a parte a luto, gemidos e a sombra de morte. O mundo romano desmorona,... Tivesse eu cem línguas, cem bocas, uma voz de Bronze, nunca, nunca eu poderia contar tantas desgraças” (epistolas IX, 16).
Em 410 Alarico penetrou e saqueou Roma, São Jerônimo da o seguinte testemunho em 411:
“Hoje quis aplicar-me ao estudo de Ezequiel; mas, momento preciso em que comecei a ditar (veja que Jerônimo o sábio tradutor da Bíblia, ditava a escribas), senti tal perturbação pensando na catástrofe do Ocidente (referia-se a Roma) que como diz o provérbio me faltaram às palavras. Por longo tempo fiquei em silêncio bem consciente que estamos na época das lagrimas.
Neste mesmo ano, depois que explique três livros de Ezequiel, uma subitânea invasão de bárbaros... desencadeou-se como uma torrente sobre o Egito, a Palestina,a Fenícia( hoje Líbano) a Siria, tudo arrastando consigo” (Epistolas 126, 5)
Escreveu ainda São Jerônimo:
“Quem teria acreditado que essa Roma, construída sobre vitórias obtidas em todo o universo, viesse um dia a desmoronar? Quem teria acreditado que, para os seus povos, Roma viria a ser mãe e sepulcro?... Que todas as regiões do Oriente, do Egito e da África se cobriam de escravos (homens e mulheres) vindos de Roma, outrora senhora do universo?” (Prefacio do Livro III, XXV).
Não foi mole.
Os visigodos foram os primeiros povos germânicos a abraçar o cristianismo. No século III alguns de seus indivíduos tornaram-se católicos por obra de prisioneiros, escravos e ou missionários. Todavia o grande arauto entre eles foi Ufilas (311-383) ariano; ordenado Bispo dos Godos por Eusébio Bispo ariano de Nicomédia. Os visigodos foram o foco de conversão do mundo Oriental, de modo que o s Germanos do Oriente se tornaram cristãos sob o signo da heresia ariana.
Todavia os Francos, também germânicos, na segunda metade de quinto século, passaram do Reno Para a Gália. Clodoveu ou Clovis (481-511) casado com uma cristã resolveu batizar seus dois filhos. Depois de uma vitória contra os alamanos (alamanos, não alemães, os primeiros são origem dos segundos) Clovis recebe o Batismo das mãos de São Remígio de Rheins em 496, e como rei fez batizar seus três mil homens. Assim Clovis se fez católico e não ariano, e apresentou-se as autoridades religiosas como protetor da ortodoxia (não confundir como igrejas ortodoxas separadas coisa que ocorrerá séculos adiante). Essa declaração valeu para a França, terra dos francos (germânicos) o titulo de filha primogênita da Igreja. Os sucessores de Clovis tornaram-se politicamente intrusos da igreja, forçando um breve “Cesaropapismo”, ingerência do poder civil, no poder religioso, agora Ocidental, coisa vivenciada ate então, pela Igreja no Oriente.
Ostrogodos e Vândalos extinguiram-se sob a heresia ariana, já os Francos, Suevos, Visigodos, burgúndios tornaram-se católicos. Toda a preservação da cultura cristã se preservou e irradiou a partir dos Mosteiros, que eram focos de espiritualidade, cultura e missão evangelizadora.
As invasões das tribos germânicas atrasaram em certa medida a vivência do Cristianismo, ainda no século sexto, São Gregório Magno, Papa, referia-se ao paganismo existente na Córsega, Sardenha e regiões distantes. Calcula-se (não sei como) que por volta dos anos 600 era de 6ª 7 milhões de cristãos no Ocidente, numa população total de 10 milhões de almas. Acontece que os germânicos se convertiam segundo os seu lideres, o que por vezes significava uma conversão sem catequese, vivendo um cristianismo cheio de superstições (astrologias e magia).
No próximo texto, para fixar e não fazer confusão dará uma rápida pincelada no desenvolvimento do cristianismo de Estado (380) com Teodósio e seus filhos Arcádio (395-408) no Oriente e Honório (395-423) no Ocidente. Pois é preciso perceber que ao mesmo tempo em que o Império tentava implantar o cristianismo, em seus povos, as “hordas” pagãs invadiam trazendo múltiplas desordens, e convertiam-se para o arianismo. Assim será importante olharmos novamente para o fenômeno do decreto de Teodósio, contra os arianos, que negavam a divindade de Cristo, heresia ate os nossos dias praticados por grupos cristãos extra Igreja. Tanto a iniciativa de Constantino em 311, como a de Teodósio em 380, eram atitudes de combate à idolatria e ao politeísmo (todavia a idolatria nada tem a ver com a proibição de imagens, era o combate aos deuses pagãos, chamados ídolos, a iconografia e os iconoclastas, que combatiam as imagens cristãs, numa errônea interpretação do texto bíblico do Velho testamento, portanto das tradições judaicas, é movimento herético bem posterior, condenado pela Igreja. Quando fizermos essa revisão dos decretos que facilitara a expansão do cristianismo e sua unidade, entraremos, se Deus quiser prudentemente na descrição dos principais desvios da fé sofridos nos séculos IV e V (quarto e quinto). Veremos também o surgimento dos monges copistas que copiavam comentavam e traduziam a literatura cristã e Clássica (Greco Romana) principalmente Aristóteles e Platão numa atividade que se estenderá até o século décimo. O pensamento de Alexandria estava impregnado das praticas mágicas pagãs.

Para você acreditar.

Clique sobre a imagem e ela crescerá para você poder curtir.


É possivel que as pessoas habituadas com a virtualidade da Internet, ja não acreditem mais em nada. Então duvidam, e essa é a base da construção da sociedade virtual, a dúvida. A duvida demove o cidadão dos seus objetivos, e o faz vacilar. Assim, o governo Mundial, vai sendo construido, enquanto os valores cristãos vão sendo demolidos. Trago aqui a folha de capa de um livro editado em 1864 portanto a cento e quarenta e cinco anos atrás. É tão grande a importancia desse período para a História do Cristianismo, que o Sionismo, cria um conjunto de jogos pela Internet, que perturba e distrai a analise da "Idade de Ouro", fazendo que as pessoas, não só falsifiquem essa história, mas criem centros afeticos aos estilo dos Conans, e países e reinos imaginarios, como seus bruxos, magia, e ideologias. Tudo para negar a vitória do Cristianismo sobre a massa de " de heresias" do período.
Como pode a doutrina do judeu pacifico e anti-sectário sobreviver ao ataque desse período de força?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Voltando aos Bárbaros.












Voltando aos povos bárbaros: em quem acreditar?
Alguém tentou ridicularizar meu ultimo texto sobre os bárbaros. Me desculpe, mas eu não aceito, nem a critica nem a grosseria. Essa questão dos povos bárbaros é das mais complexas, por exemplo, para a enciclopédia Koogan, para os gregos, os romanos eram bárbaros, veremos tembém que para os romanos, os persas, hebreus, turcos, hunos ( que eram povos de pele amarela e que para alguns autores vinham da Mongolia, e para outros vinham de mais ao norte para além dos montes Urais) Veremos também que egípcios e cartagineses eram bárbaros ate serem colonizados pelos romanos. Além disso, nós transferimos conceitos da Idade Moderna e aplicamos na antiguidade ou na Baixa Idade Media, e portanto deformamos a interpretação dos fatos. Ao Tempo da expansão Romana não havia o conceito Europa, Ásia, America, África, como temos hoje. Vejam vocês que eu tenho um dicionário de 1890 ( final do Império). Nós não encontraremos ali muitas das palavras de uso cotidiano da língua portuguesa, como telefone, Internet, gasolina, nave espacial, televisão, rádio, homossexual, submarino, radar, gerador atômico, virtual, etc. e tal. Compreendem, isso de 1890 para cá. Quando um historiador romano escrevia, ou descrevia territórios, não lhes dava a amplidão que nós damos hoje, nem imaginavam mapas como nós imaginamos depois dos desenhos dos cartógrafos do final da idade Media e inicio da Moderna, muito menos, descreviam as coisas com as preocupações que temos hoje. Ora, seja sensato e pense em Atila, o comandante Huno, com setecentos mil soldados, a população da cidade de Curitiba, sem contar sua Região Metropolitana, andando à pé, ou montada, desde a Mongólia, ao norte da China ate a Itália. Como comiam, como dormiam, como se preservavam do inverno, como bebiam? Ora saia você à pé de Curitiba ate Manaus, numa época em que não houvesse estradas, torneiras, placas indicativas, lanchonetes, telefones, luzes, bussola, mapas para se orientar, e depois venha ridicularizar meu texto.
Indo Europeus, o termo, é sinônimo de Indo-germânico, que é como os filólogos procuram estabelecer a base lingüística comum entre os povos europeus e asiáticos (hindus), difere do grupo Indo Ariano, que é o grupo de línguas faladas hoje na Índia. Então, além de o conceito geo-político de Europa Oriental, e Ásia, não existir na época dos Romanos, não há erro, em atribuir origem aos eslavos como asiáticos, pois a “Europa” correspondente as suas origens, não passava de uma quase península da Ásia, e restringia-se, a uma pequena porção Mediterrânea dominada pelos gregos e, um pouco mais interiorizada no domínio dos macedônios. Hoje, autores já deixaram Átila na Hungria, mas nem sempre foi assim, para outros Átila saiu mesmo da Mongólia pressionado por povos ainda mais ferozes e mais orientais, fossem eles do norte da China, ou do sul Oriental da Rússia. Como você vê, as crianças são reprovadas na escola, por errarem sobre assuntos que nem mesmo os seus professores dominam. No norte da África existiam sim povos bárbaros, tanto para os Gregos como para os romanos, se usarmos os critérios de que bárbaros eram os povos para além das fronteiras conquistadas. Todavia, a África conhecida, não era o continente, era a África Mediterrânea, ainda que saibamos hoje, que o faraó Necao II deu a volta no continente Africano, pelo mar, mil anos antes dos Portugueses e espanhóis. Quando dizemos que os Germanos (aqueles vários povos de língua indo européia ou indo germânica, estavam separados do Império pelos rios Danúbio e Reno, não estamos dizendo que eles se avizinhavam dos rios, nem determinamos as suas latitudes e longitudes de influência geográfica, estamos pura e simplesmente, afirmando que desconhecemos. Sabe-se hoje que os godos, são um povos, entre outros, incluindo os tártaros formadores da Hungria e Bulgária, como formadores da Europa Oriental, imediatamente, imaginamos os seus territórios atuais, mas isso não quer dizer que esses foram os territórios originais, nem que os Tártaros, por exemplo ali se originaram. Os eslavos eram povos bárbaros que hoje se acredita , pelo tronco lingüístico formadores dos Poloneses, Ucranianos e Russos, então, nós só os vemos na Europa Oriental, ou os vemos ate a Sibéria nos confins da Rússia asiática? O que difere, o russo europeu do asiático? O que difere o armênio europeu de seus visinhos asiáticos? Nada, apenas uma convenção “geo-política”. Se é difícil determinar essas sutilezas nos dias de hoje, com os recursos que temos, imagine como era descrever os povos, sua origem e extensão de seus territórios dois milênios, três, quatro milênios atrás. Tudo era feito pelo relato oral, e pela fé, ao narrador. Hoje procuramos fundamentar em relíquias arqueológicas, pistas históricas, datações físico químicas, mas o mosaico não passa disso, um apanhado de fragmentos, uma historia incompleta, um constructo cheio de invasões e conceitos da época de quem escreve. Depois do Marxismo, os historiadores mudaram o perfil da Historia Universal. Eu por exemplo posso comparar um clássico como Laurent ( história da Humanidade) editado em 1865 em Paris com um historiador pós marxismo, ou um deformador, pós Internet. Não eu não sou um historiador, muito menos um sábio, menos ainda um historiador da religião. Eu as vezes me pergunto, porque tenho tanto trabalho para organizar dentro de minhas limitações esse textos que são bem difíceis para mim, e a resposta vem com sabor religioso. Porque o meu peito queima se eu não falar do que eu acredito. É bíblica essa frase: “ai de mim se eu não tentar evangelizar”, e o faço dentro do que sei, não com perfeição é obvio, mas dentro do cuidado que a graça e a oração constante me permitem. Faço isso, como quem abre uma picada, um caminho, para que você possa não me seguir, mas usar a terra por mim pisada, para encontrar verdades ainda mais profundas, e ver aquilo que eu não vi na caminhada, de modo que você possa também fazer, e melhor, o que eu procuro fazer, ou seja, mostrar o quanto, nós, por preguiça vamos perdendo do nosso passado. Abra a Bíblia, coteje os dados, compare.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Os Barbaros.


















Os bárbaros.
Demorei um pouco para escrever esse texto, e ainda assim não me sinto bem seguro. Sempre fiz algumas confusões na questão dos povos bárbaros, e confesso que a questão ainda não é clara para mim.
Muito antes do surgimento da expansão dos romanos, os gregos já conheciam os povos a que chamavam de bárbaros, aparentemente numa alusão de sua fala e tradições rústicas pagãs. Nós sabemos sobre esses povos, não pela ótica da história da Igreja, mas mais sobre a informação deixada pelos historiadores romanos. Via da regra, todos nós, talvez influenciados pelo cinema, lembramos, ou ligamos ao nome bárbaro, apenas os povos do norte europeu, ou da Ásia Menor, mas o termo designava todos os povos circundantes do império grego e depois romano, o que equivalia aos povos do norte da África, da Europa, da Ásia, das longínquas estepes da Mongólia e ate da Índia e Pérsia. Bárbaros eram os povos não conquistados. Nós nunca lemos expressões como as “hordas” romanas invadiam a Britânica, a Gália, ou Jerusalém, ou Bizâncio na Turquia (os turcos também eram povos bárbaros, ou Cartago no norte da África, mas lemos, as “horda” de bárbaros invadiam o império do Oriente e do Ocidente, ou seja, temos de algum modo como licitas as invasões romanas, e como ilícitas as contra invasões bárbaras. Mas ainda não me aprofundei o suficiente.
Com relação à história da Igreja, registra a invasão dos Godos, em 250, no Império do Ocidente e a invasão dos bárbaros, dito assim de uma maneira geral após a morte de Aureliano (imperador Romano assassinado) em 277 mais ou menos.
A maioria dos historiadores concorda num ponto, bárbaros eram os povos que não faziam parte do Império. Todavia como já dissemos os gregos bem anteriores também os consideravam assim. Com relação à História Romana, eram três grandes nações os Germanos (Francos, Saxões, Anglos, Godos, Vândalos, Lombardos, Hérulos, e Borguinhões) ai vinha os Eslavos (Polacos, Russos, Ucraínos e Sérvios todos da Ásia) e os temidos Tártaros (Hunos, Mongóis, e Turcos também Asiáticos). As grandes migrações desses povos, não dizem respeito diretamente aos povos romanos, é são bem antigas. Alguns desses povos são de origem Indo européia (esse grande mistério dos troncos lingüísticos dos quais não se sabe se foram europeus a conquistar a Índia ou se foram Hindus a conquistar os territórios europeus). De qualquer modo os historiadores regionalizam à época dos romanos assim: Os germânicos habitavam os Bálcãs, entre o Reno e o Danúbio ate as margens do Mar Báltico. Invadindo o império romano formaram as nações modernas do oeste europeu, como França, Inglaterra, Espanha, e Portugal (suevos). Os hunos habitavam os longínquos montes Urais e o Cáucaso. Assim os historiadores marcam a idade Media, com a queda de Roma sobre os bárbaros em 476, quando Odoacro, que já havia ocupado Roma torna-se rei da Itália, e como a queda do Império Romano do Oriente sobe os bárbaros turcos com a tomada de Constantinopla em 1453. Todavia a história eclesiástica leva, segundo alguns historiadores a idade Media, ate Lutero em 1517. Curioso, no entanto é que São Justino (165 já nos narra a presença de Cristãos entre esses povos, e Santo Irineu morto em 202 também deixa o testemunho da presença de cristãos entre esses povos. Antes, portanto da primeira investida dos Godos ao Império do Ocidente. Curioso também é que Ufilas, bispo godo, que traduziu a Bíblia para o idioma Gótico, foi ao concilio de Nicéia em 325.
Abaixo incluo um mapa que encontrei sobre essas migrações guerreiras, embora sem detalhes e datas relacionadas com a nossa historia eclesial. O cristianismo bárbaro está todo ele ligado ao arianismo (não o arianismo racial, (arianos=indo europeus, embora seja essa a sua origem lingüística) mas ao arianismo, heresia do Bispo Ário).
A historia Romana nos conta que os povos germânicos eram contratados como soldados mercenários do Império. Alarico, em 410, antes, portanto de Odoacro já havia invadido Roma, Atila, o Flagelo de Deus, como um exercito que se estima de (?) setecentos mil homens, destrói setenta cidades do Império, mas para e recua diante do Papa Leão Magno que os enfrenta sozinho, apenas com a palavra, em 453. Mas se Átila recua, Genserico impõe a Roma o castigo pilhando a cidade per quatorze dias em 455. Nessa altura os Lombardos já haviam tomado e se fixado no norte da Itália. Os saxões e Anglos invadem a Grã Bretanha já cristã. Os visigodos se apoderam da Espanha cristã e os Vândalos se apoderam do Norte da África cristã.
Interessante notar, o que os historiadores não sublinham, é que os cristãos, no caso a Igreja, que foi ao encontro dos pagãos contrariando os judeus (nacionalismo racial israelita) vai agora de encontro aos invasores bárbaros contrariando o Império Romano do Oriente que sobreviveu a queda do Império do Ocidente, convertendo esses povos, donde nascerão as primeiras nações (povos, não impérios de nações submetidas) cristãs (a França dos Francos, por exemplo). Durante toda essa queda apenas a Igreja e sua autoridade sobreviveu, tanto no Oriente, como no Ocidente, resistindo às divindades, ritos, sacrifícios e a força desses povos invasores preservando para o mundo, não só a Palavra, mas os ritos cristãos, mais do que isso, civilizaram esses povos, com tudo o que adquirirá dos judeus, persas, gregos e romanos.
A conversão dos povos bárbaros é de máxima importância para a compreensão do cristianismo, e para a história da Igreja Universal, a igreja de Jesus, por ele instituída no magistério de Pedro, o pescador Judeu e seus sucessores. Essa história também é importante, e por ser importante é pouco estudada, pois ela nos denuncia tanto as diversas formas de aculturação da religião, mas mais do que isso, denuncia a importância insofismável da Cátedra de Roma na unidade doutrinária do pensamento cristão desde então. É nesse período que surgirão as grandes heresias e os grandes combates da fé sob o ponto de vista doutrinário. O papado constrói a civilização Cristã. O papado à frente da Europa, dará surgimento à Civilização Cristã.






Observem todavia que a divisão Europa Ásia esta errada no Mapa, ou faz alusão a uma divisão anterior aquela que utilizamos hoje.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Os cerentianos e a doutrina de Cristo.

Cerintianos.
Eu me esqueci de falar dos Cerintianos outra seita judia, entendida por alguns como judeu-cristã do final do primeiro século e inicio do segundo, posto que o judeu Cerinto fora contemporâneo de São João Evangelista. Os Cerintianos eram um movimento gnóstico que propunha a heterodoxia judaica acrescentando um tipo de messianismo materialista (monetarista) de mistura com a restauração do culto de Jerusalém. Sabe-se que Cerinto morreu antes de 140. É considerado pelos historiadores bíblicos um dos primeiros heresiarcas e cismáticos na Igreja nascente.
Espalhou sua doutrina na Ásia Menor onde fez grande número de adeptos. Surpreendentemente destacou-se como escritor cristão. Prolongou em sua doutrina a corrente judeu cristão heterodoxica (dependência do cristianismo ao judaísmo). Era milenarista. Ensina a doutrina dos anjos, e que fora um determinado anjo que deu os Mandamentos a Moisés e acrescentava que Javé de Israel era apenas um anjo.
Novamente vemos a importância da reunião dos Bispos, e da correção da Doutrina sob a autoridade transmissível de Cristo à Pedro e dele aos seus sucessores. ( embora em alguns casos se demorasse para perceber a conseqüência de tais erros, que chegaram a ser professados por homens declarados Santos).

domingo, 18 de janeiro de 2009

Os primeiros passos em direção ao quarto século.

Os séculos IV (quarto) e V (quinto).
Hebreus 11: “A fé consiste em realizar o que se espera, é uma certeza a respeito do que não se vê”
Finalmente damos os primeiros passos em direção a esses séculos difíceis.
Para começar, voltamos um pouco, aos inícios, ao caso dos judaizantes.. Voltamos apenas para dizer que isso comprova insofismavelmente que os primeiros cristãos eram massivamente judeus, (por exemplo: em epistola a Tito, leremos: ” há em toda a parte, sobretudo entre os circuncisos (judeus) uma quantidade de insubmissos”), .... E isso dizia respeito a Creta; e assim continuou pelos primeiros trezentos anos, sempre encontraremos maior numero de cristãos na comunidade de judeus dispersas pelo mundo, do que nas comunidades pagãs. Foi uma longa caminhada do cristianismo ate tornar-se religião de Estado em mais ou menos 380, período que corresponde a ¾ de toda a história do Brasil. O engano que temos de interpretação vem do fato de estudarmos mais a questão pela história universal do que pela história Bíblica. Resolvido o caso se o cristão devia ou não ser circuncidados, surge as duas primeiras heresias. A primeira deriva dos judaizantes que se chamava a heresia Ebionistas de Ebionim (pobreza em Hebraico). Esses judeus cristãos tiveram dificuldade de abandonar as conseqüências (interpretações e deformações da Lei) da lei de Moisés, professando que segui-las (os rituais Judeus) era necessário para a salvação, mesmo depois do Concilio de Jerusalém em 49 presidido pelo apóstolo Pedro. Quando morreu o apostolo Tiago, os Ebionistas negaram o seu sucessor Simeão, como bispo da Igreja de Jerusalém, e elegeram um bispo próprio, sendo esse o primeiro cisma da Igreja, nos diz o cronista. Tornaram-se cruéis adversários do cristianismo, em particular de São Paulo, que consideravam um renegado do “ povo Escolhido”.
Os Milenaristas: A esperança de restauração temporal do “Império Israelita Universal”, cujo reino seria exercido pelo “Messias”, esperança ate hoje alimentada pelos judeus, máxime o sionista tomou uma nova forma entre os judeus cristãos. Os Milenaristas. A tese, professadas por muitos judeus cristãos vinha de uma ma interpretação do texto de João (Ap.
20,1(-7) que o demônio havia sido aprisionado por mil anos, e que, portanto os cristãos reinariam, por mil anos em fartura e depois seria a vida eterna. Mas não foram só os hereges, nos diz Negromonte, que adotaram essa tese, também os Ebionistas, os Montanistas, e homens Santos como São Justino, Santo Irineu e Lactâncio o aceitaram. O próprio Santo Agostinho chegou a professá-lo por uns tempos ate tornar-se seu ferrenho opositor. Terminada as perseguições ( centro das esperanças Milenaristas) a heresia extinguiu-se, e já não existia no século IV. Estranho apenas que não tenha havido uma condenação formal (que talvez tenha escapado as minhas pesquisas).
O gnosticismo: Enquanto o Imperador Trajano, perseguia duramente os cristãos, como já vimos, martirizando o Papa Clemente em Roma; o Bispo Simeão sucessor do apostolo Tiago em Jerusalém; Santo Ignácio em Antioquia surgiam e imiscuíam na Igreja os erros gnósticos. Tinha raízes antigas, oriundas de Simão o Mago e era professado pelos Nicolaitas (contemporâneos dos apóstolos) que negavam os mandamentos. Mais tarde com Valentim em Roma, esses erros tomaram corpo (140-160) Combatido por Santo Irineu de Lião, foi condenado pela Igreja.
O Marcionismo: o nome de vem de Marcion, que veio a Roma à época de Antonio Pio. Marcion fora excomungado pelo Bispo de Sínope. Em Roma foi recebido na Igreja, mas logo foi expulso. Abusando da “livre interpretação” do texto de São Paulo, entre a lei e a Fé, ou seja, liberdade diante da lei chegou a estabelecer uma ruptura total entre a tradição judaica e a tradição cristã - caindo no dualismo gnóstico. Fundou uma seita cristã, seguida pó clérigos e bispos perturbando a Igreja em Roma, sempre combatido, por Justino; Tertuliano e Irineu. Foi condenado pela Igreja. ( vejam a importância do magistério Infalível da Igreja em fé e moral).
Montanismo: Na metade do segundo século surge na Frigia um carismático, que se dizia bispo e enviado por Deus para aperfeiçoar a Igreja. Essa corrente gnóstica professava que através de estases os cristãos espirituais (em contraposição aos cristãos psíquicos) dispensavam a autoridade eclesial, pois se colocavam em contacto como deus sem o ministério dos homens, consideravam a existência de uma terceira revelação (como aconteceu posteriormente com Maomé) superior as duas primeiras (existiria assim uma Novíssima Aliança). Condenava o matrimonio e obrigava a procurar o martírio. Tornou-se com o tempo mais “brando” professando o rigorismo moral, mas sempre pregando a desobediência no seguimento do magistério dos apóstolos. Esse rigorismo conquistou o grande Tertuliano, que se tornou um montanista. Todavia desde o começo vários concílios (veja a importância dos colégios dos Bispos reunidos diante da autoridade Papal) condenaram os erros dos Montanistas. No Oriente foram condenados por Zeferino, depois de terem sido denunciados por Praxéias.
Maniqueísmo: mais tarde, bem mais tarde, o gnosticismo aparece numa nova forma, à forma de Mani, um persa, que apresentava o dualismo, Bem e mal, sob a forma dos deuses persas Ormuz deus da Luz, e Ahrimã, deus das trevas ordenado com aparência de cristianismo. Organizou sua Igreja, nos moldes cristãos, como 12 Magistri (juízes) Episcopis (72 vigilantes) e Presbyteri (sacerdotes). Era uma seita imoral, praticava a abstenção da geração, mas não do ato sexual; as comidas impuras; e os trabalhos serviçais. O Grande Santo Agostinho, filho de mãe cristã e pai pagão, foi “maniqueu” antes de se converter. Depois foi seu principal denunciador e opositor. O maniqueísmo, foi condenado pela Igreja, mas difundiu-se tanto no Oriente como no Ocidente.
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Quando acabarão as perguntas?

Quando terminarão as perguntas?
Se você prestou a atenção nos últimos textos, percebeu que caminhávamos sobre cascas de ovos. Santos que foram hereges, imperadores que instrumentalizaram a fé, irmãos na fé separados pelo carisma de um ou outro líder, campo minado.
Então eu me pergunto em meu coração? Quando terminarão as perguntas? Nunca? Quando morrermos? Ou quando abraçamos a fé? Chego a sentir calafrios.
Então nesses momentos difíceis, onde duvidamos de nós mesmos, eu abro a janela e olho o céu. Quanto desconhecido, quanta pergunta a ser feita e quantas respostas a serem dadas. Então fecho os olhos e imagino a extensão e a profundidade do micro cosmo, e me perturba a alma tantas as questões.
É obvio que um homem possa perturbar-se diante de uma encruzilhada com muitos caminhos desconhecidos. Mas uma vez tomada à decisão, como se diz por ai, seja o que Deus quiser, vamos que vamos.
Se no campo das coisas, as perguntas se acumulam à medida que avançamos nas respostas, nas coisas da alma, a Fé nos trás uma tranqüilidade, um sossego, um hálito de paz, pois ela resolve questões básicas da existência humana. A diferença da fé com uma encruzilhada são duas, numa encruzilhada fazemos uma opção, a fé, pelo contrario nos é dada, principalmente se a pedimos. A opção pelo caminho, nos leva passo a passo ao desconhecido, que é via de regra, parecido com o conhecido. Na Fé, ganhamos uma luz, que antecede os fatos, e ilumina o desconhecido pela confiança, Deus vai a nossa frente, e nos espera no termino da caminhada, posto que sua obra esta pronta, desde muito, e o desconhecido para ele não existe. Prestaram a atenção: A OBRA DE DEUS ESTA PRONTA, ao sexto dia Deus terminou sua obra, e descansou. O homem sim, decaído da perfeição, caminha esse difícil retorno à paz de Deus. Privilegio que os anjos decaídos não mais terão. Nós os homens ainda temos um tempo, um tempo para pedir, um tempo para crer... E no mais é caminhar com prudência pelos labirintos de perguntas que a nós se impõe. Intencionalidade e dúvida características do que é humano.
O assunto que trazemos hoje é dificílimo para mim. Pensem o seguinte: de mais ou menos 1960, os padres deixaram o uso do Latim, passados quase cinquenta anos, os novos padres, os padres das gerações do inter-meio, e os da velha geração que sobreviveram, já não sabem o latim, e dele muito pouco podem tirar, digamos, num conjunto estatístico com qualidades universais. São só cinqüenta anos, e temos na estrutura dos documentos oficiais da Igreja, uma radical mudança do padrão de qualidade. Quando estudamos, em livros a História da Igreja, fatos ocorridos, dezenas de centenas de anos atrás, não nos damos conta dessas mudanças, e tendemos a ver e entender os acontecimentos como lineares, e como se, nossa geração fosse a síntese disso tudo, portanto obrigada e apta para tudo muito bem entender.
É possível que isso seja certo, mas em igual medida é possível que não.

Nada mais difícil do que avaliar como eram as comunidades cristãs do inicio da Igreja. Se considerarmos Ecclesiae com assembléia dos cristãos, imediatamente surge em nossa mente, que indivíduos reunidos com freqüência, tentam construir, ou melhorar o seu local de encontro e culto, portanto haveria de nascer uma “Casa” de Deus, um templo, um culto, e um ou mais responsáveis pela “casa”. Embora Deus falando aos judeus na velha Aliança, tenha chamado a atenção da presunção daqueles que queriam construir uma casa para o criador de tudo, nos veremos na nova Aliança, um elogio para os que têm Zelo pela casa do Senhor. Imediatamente, surgirá alguém, para dizer que Casa, para os hebreus diz respeito à tribo, raça, clã, e o zelo deve-se à Tribo dos escolhidos, ora, mas os escolhidos rejeitaram o Filho de Deus, o herdeiro da Casa em qualquer dos sentidos, e ficaram sem a casa (templo) e sem a proteção (herança) que foi dada, pelo Filho a outros povos e outras Casas. Todavia se olharmos com desassombro, os apóstolos eram as colunas dessa assembléia e desse edifício de reunião dos homens e do culto “fazei isso em memória de mim”. As Assembléias tinham seu templo, sua construção de reunião, e os zeladores, não do templo, mas da assembléia e do culto, eram, como não podiam deixar de ser, escolhidos, a partir de Pedro, a pedra fundamental, numa hierarquia, na profissão da fé, e na retidão da celebração da eucaristia (fração do pão) que pelas palavras de Cristo se tornam sangue e carne dele, para a salvação de todos (nesse ponto esta sendo chamada a razão todos os cultos e religiões de sacrifícios de toda a história da Humanidade). Venham para meu sangue e carne, presunçosos chantagistas e negociantes da vontade do Pai, parece dizer o Filho, porque a Vontade do Pai deve ser cumprida ate o fim, pois ela se estende para além das cadeias da morte. A vontade do Pai impera na eternidade. Ou vocês amam a Deus e o honram, ou são seus inimigos.

Assim, como lá ninguém estava, exceto Cristo, costuma-se avaliar as comunidades cristãs primitivas no século primeiro através dos escritos chamados neotestamentários, as epistolas de São Paulo, os Atos dos Apóstolos e o Apocalipse. Irradiando-se da Palestina tomou o sentido Norte Oeste, ou seja, da Síria para o Ocidente, em direção a Roma. No litoral norte da África havia duas principais, Alexandria, no Egito, e Cirene (cidade de Simão o Cireneu, que, portanto era africano, o homem que ajudou Jesus a carregar a cruz) na Pentápolis. No território da Palestina (Terra Santa) formaram-se as Igrejas de Jerusalém, Lidia (que eu pensava ser na (África), Jope, Pela, Samaria. Ptolomeida, Cafarnaum, Tiro (antiga capital dos fenícios) e Sidon. Na Siria (o território sírio era maior do que é hoje), mais ao norte, floresceram as igrejas de Damasco, Trípolis e Antioquia.

Havia na ilha de Chipre ( ver mapa) a de Salamis e Pafos. Edessa uma das mais veneradas igrejas e comunidade no norte da Mesopotâmia. Ao longo da Ásia Menor merecem destaque as igrejas de Tarso (cidade origem de São Paulo) Selêucida, Derbe, Icônio, Listra, Atália, Perge, Antioquia da Pisídia, Colossos, Laodiceia, Filadélfia, Mileto, Éfeso, Tiatira, Esmirna, Pérgamo (a cidade dos pergaminhos), e Troade.

Na Grécia (incluindo a Macedônia, parte continental norte) Filipos na Macedônia; Tessalonica, Apolônia, Atenas, Égira e Corinto, Patras e Nicópolis. Na Itália, desde os primórdios, como podemos ler nos documentos cristãos, houve a de Roma e a de Putéoli. A implantação mais números e fecunda deu-se na parte ocidental da Ásia Menor. Ela coincide com o campo de atuação missionária de São Paulo, tanto nas demais regiões da Europa como na África foram escassas as comunidades cristãs nesse primeiro século, 49-100. Quando haviam estavam localizadas nos grandes centros ou nos portos marítimos

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Os grandes sacerdotes da Igreja Cristã.

Os grandes Padres da Igreja Cristã.

Platão disse algo assim: "Podemos perdoar uma criança por ter medo do escuro, mas não podemos perdoar os homens, pelo seu medo da luz"

"O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos" Salmo 146-148.


Antes de entrarmos nos próximos séculos, vamos escrever algo sobre os Santos Padres, como eram chamados, esses grandes escritores e doutores da fé. No sentido lato, nos diz o cronista o século IV (quarto) e considerado o século de ouro da doutrina Universal de Jesus Cristo (também chamada católica, palavra grega que quer dizer aquela que congrega universalmente). Contribuíram para esse esplendor:
a) A paz entre a Igreja dos cristãos e o Império.
b) As grandes heresias (arianismo, nestorianismo, pelagianismo) e sua controvérsia que exigiram um radical aprofundamento da doutrina cristã;
c) A reunião sistemática de inúmeros Concílios (regionais e Oicumenos, ou seja, de toda a terra habitada por cristãos) que congregou os grandes teólogos.
d) O aparecimento de tantos gênios como nunca se vira em toda a história da Igreja.
No Império do Oriente (que compreendia a Ásia Menor, toda a Terra Santa, a Síria, o Egito até Cartago no Norte da África.

Ali, em Alexandria no Egito, Àfrica, a escola de Alexandria como era chamada ganha brilho universal com Santo Atanásio, São Basílio, São Gregório de Nissa e São Gregório Nazianzeno.

Em Antioquia (* Ásia Menor) dedicam-se entre outros São Crisóstomo, com rigorismo racionalista, que infelizmente gerará duas heresias terríveis: O arianismo, do Bispo Ário que contaminou o império e o imperador, e o nestorianismo, do Bispo Nestório.
Atanásio nascido em 295- 376 (portanto morreu com 86 anos) simples cônego foi à figura principal do Concilio de Nicéia. Combateu o arianismo com coragem, o que lhe valeu o exílio por cinco vezes, tendo ficado 17 anos escondido nos velhos túmulos do Egito onde produziu números escritos de defesa da Igreja.

Basílio nasceu em 330-379 (viveu 49 anos); também enfrentou o imperador ariano. Regulamentou a função dos clérigos e desenvolveu os estudos eclesiásticos, com ele na Capadocia começam as escolas de oficio para a juventude, os albergues para peregrinos, os leprosários, as casas de retiro para doentes. Seus livros mais famosos são Hexameron, e Homilias.

Gregório de Nazianzo viveu entre 330 e 390, portanto por sessenta anos, foi amigo de São Basílio e Bispo de Constantinopla, capital do Império do Oriente, ai combateu o arianismo. Foi mestre de São Jerônimo o tradutor da Bíblia, e de São Gregório de Nissa.

Gregório de Nissa era irmão de Basílio, era eloqüente brilhando no Concilio de Constantinopla, era considerada Coluna da Ortodoxia (retidão) e foi quem redigiu o símbolo Constantinopolitano, completando o símbolo de Nicéia, que por sua vez tinha como corpo o Símbolo dos Apóstolos escrito entre 49 (Concilio de Jerusalém presidido por São Pedro), e 100 com São João.

São João Crisóstomo viveu entre 344-407, é considerado o maior de todos os Santos Padres de língua grega, teve formação erudita e vivia nas cavernas da Antioquia, tinha sido sacerdote, mas só descia das cavernas para pregar em publico em Constantinopla. Foi o maior orador da antiguidade cristã, por isso chamado de Crisóstomo (boca de ouro).

No império do Ocidente, já se desenvolvia o uso do latim, para os ofícios e documentos da Igreja. Assim os historiadores se chamavam aqueles, de os quatro grandes doutores da língua grega, chamaram a esses,os quatro grandes doutores da língua latina. Santo Ambrosio, São Jerônimo que traduziu a Bíblia em Jerusalém, Santo Agostinho (Africano) e Leão Magno Papa. Para que não fiquem confusões, Agostinho, por exemplo, era nascido no norte da África, no Império do Oriente, mas por ter pregado e escrito em latim, é considerado um dos grandes do ocidente.
Ambrosio viveu entre 333 e 397, portanto 64 anos. Foi bispo de Milão. Foi ele que deteve o arianismo no império do Ocidente, pois pregava diariamente e escrevia muito, foi conselheiro de três imperadores, e converteu Santo Agostinho, é o doutor da independência da Igreja do Estado Imperial.

Jerônimo estudou em Roma, tornou-se monge em Aquileia, foi mais para o oriente para aprender o grego e o aramaico a fim de entender a Bíblia no Original conhecido, estudou exegese com Nazianzeno. Assim o papa Damasceno, incumbido de traduzir a Bíblia, para afastar ou dificultar os erros e a fraude. Assim em Belém (da Judéia) em 382, sua tradução hoje chamada Vulgata se tornou de uso corrente em toda a Igreja.( sempre considerando que não havia imprensa, e que essa vulgarização era relativa, e destinava-se ao uso dos sacerdotes ( padres, clerigos). Foi considerado o mais sábios dos padres antigos, o próprio Santo Agostinho o consultava, Jerônimo penitenciava-se no deserto.

Agostinho viveu entre 354_430, portanto 76 anos. Sua mãe era cristã, fez sua formação em Cartago, antiga colônia semita da África, passando á Itália no outro lado do Mediterrâneo, fixou-se em Milão. Abraçou o maniqueísmo, que não o satisfez na sua busca pela verdade. Conheceu Santo Ambrosio por quem foi batizado na páscoa de 387 depois volta a Tagaste na África onde nasceu, e torna-se monge. Foi ordenado sacerdote em 391 dedicou-se a combater o maniqueísmo na África, que fora sua crença, e tornou-se Bispo de Hipona, na África.
Morreu em 430 quando os Vândalos invadiram Hipona, ( eu não sabia disso) Ele é considerado por alguns autores o maior doutor da Igreja em todos os tempos. Deixou varias obras escritas em latim, Confissões e De Civitate Dei (a Cidade de Deus) são as mais conhecidas.

São Leão Magno, Papa, em data um pouco posterior 461 deixou inúmeros escritos que são considerados monumentos da ciência eclesiástica, porém, sua fama vem de sua notável atuação como Papa como ainda veremos adiante.

Juliano o Imperador Apóstata.

Juliano o apostata (361- 363)
Os descendentes e herdeiros do Império, Constantino II (337-340) e Constâncio (337-361) continuaram a obra de cristianização iniciada por Constantino, o que veremos com mais detalhe à frente quando escrevermos sobre as primeiras heresias. Todavia em 361 assume o Império, Juliano, filho de um meio irmão de Constantino Magno (I), embora aparentemente educado no cristianismo, recebeu influencia do neoplatonico Maximo de Éfeso, de modo que sob a aparência de católico logo ao tomar posse declarou-se adepto da religião helenista antiga, ato que lhe valeu entre os cristãos o cognome de Apostata (desertor). Praticava o culto ao sol, como seus sacrifícios (diferentes do dos hebreus ( ver o episódio do bode expiatório), mas em tese igual a todos os outros encontrados na história das Religiões) e a magia.
Curioso, e não podemos deixar de registrar, que o sacrifício de Cristo, filho Único de Deus, acabava de uma vez por todas com os sacrifícios humanos, pois não haveria nada de superior a oferecer, do que o próprio Filho de Deus. Os sacrifícios de animais desenvolviam-se sempre para os sacrifícios humanos... Com o sacrifício de Cristo, não havia nada de melhor a oferecer. Esse foi um grande e decisivo passo para civilizar o culto religioso praticado por todas as religiões em todos os tempos. Embora não fosse esse o sentido do Sacrifício Cristão, pois esse foi instituído pelo próprio Cristo (fazei isso em memória de mim) na sua ultima ceia, havia no ato uma mensagem cabal a todos os homens (parem com essa loucura).
Voltando a Juliano, ele quis promover a restauração cultural pagã transferindo os direitos conquistados pela Igreja aos templos pagãos. Os Galileus, como eram chamados o cristão nos diz a Mater Ecclesiae, deveriam deixar os cargos públicos de elevada hierarquia. ( deve-se dizer, que os espetáculos publicos de sacrificio de cristãos, não era só um espetáculo de circo como afirmam, mas era sem dúvida um sacrificio humano aos deuses).
Juliano tentou então criar a Igreja de Estado Neoplatônica, copiando, como fez o comunismo na Rússia, os moldes da Igreja Católica, pois essa era a única existente.
No intuito de prejudicar os Galileus e sua Igreja, favoreceu as heresias e cisões entre os cristãos. Para demonstrar que Cristo havia se enganado (MT 24,2) permitiu aos judeus que voltassem a Terra Santa para reconstruir o Templo de Jerusalém, mas curiosamente estes não conseguiram o reerguer. O próprio Imperador combateu por escrito ao cristianismo, numa obra conhecida como “Contra os Galileus”, dos quais não se conhece original, apenas se conhece fragmento na obra de contestação escrita por São Cirilo de Alexandria.
Juliano não quis matar aos Galileus, pois dizia que o sangue dos mártires seria como mel para as abelhas, e que os Galileus correriam aos milhares para eles. Todavia houve em seu reinado derramamento de sangue cristão.
Curioso, Juliano morreu em uma missão militar contra os persas, aos 32 anos, tendo governado apenas três anos, diz uma lenda, nunca comprovada historicamente, que em seu leito de morte, teria dito “venceste Galileu”. O que se sabe é que o escritor cristão Santo Atanásio o comparou a uma “nuvem pequena que se dissolveu rapidamente”.
Obs: o Neoplatonismo teve origem em Alexandria no Egito no século terceiro depois de Cristo, surgia como uma fusão de crenças dos persas dos egípcios e dos judeus. Não era e não é uma filosofia, mas era e é um culto religioso e místico, velado, que incluía a “teurgia” (arte de fazer deus descer em uma alma em êxtase).